Fundada em 1754 pelos portugueses, a atividade econômica tem sido baseada em produtos florestais não-madeireiros. A extração de madeira foi amplificada entre 1940 e 1970.

Na década dos anos 1970, a construção da rodovia BR163 e de uma barragem no rio Tapajós, combinados aos incentivos governamentais para a colonização, induziram um boom populacional. Os anos 90 foram marcados pela expansão da agricultura mecanizada a grande escala (soja) e pela construção do porto da Cargill com grandes impactos sociais e ambientais. Durante a década de 2000, a ampla campanha contra o desmatamento causado pela soja culminou no moratório da soja em 2006, permitindo uma redução nas taxas de desmatamento.

Desafios Regionais

  • Expansão econômica com modelos conflitantes de desenvolvimento e boom sócio-demográfico.
  • Expensão urbana rápida com infraestruturas limitadas
  • Barragens hidroelétricos nos rios Tapajós e Madeira
  • BR163 e expansão da agricultura do grão
  • Mudanças hidroclimáticas

Hoje, a região ainda sofre com a extração ilegal da madeira, dos incêndios acidentais que degradam a floresta remanescente não degradada. A expansão da agricultura de soja e da região urbana com infra-estruturas limitadas leva a problemas de qualidade da água e aumenta os problemas de saúde.

Questões principais da pesquisa atual e passada

Impacto das mudanças climáticas e socioambientais sobre a qualidade da água: ClimFabiam, Bloom-Alert & Bonds
  • Qual é a influência das mudanças climáticas e ambientais na qualidade da água e na biodiversidade aquática e seus efeitos potenciais na saúde?
  • Como a população local percebe essas mudanças e se adapta?
  • Como a construção de cenários pode ajudar na adaptação?
Uso da terra e impacto na biodiversidade e armazenamento de carbono: Rede Amazônia Sustentável
  • Quais são os impactos do desmatamento, degradação e exploração florestal?
  • Quais são os fatores que determinam padrões de uso da terra, escolha de manejo, produtividade agrícola e lucros?
  • Quais são os compromissos e sinergias entre desenvolvimento e conservação?
Expensão da agricultura e contaminantes : projeto Glifosato
  • Quais são os impactos da agricultura de grande escala nas comunidades rurais?
  • Quais são as formas de contaminação por herbicidas e pesticidas?
  • Quais problemas de saúde foram detectados?

Atividades de pesquisa em 2019

Eventos:

  • Capacitação dos pesquisadores comunitários para a aplicação de questionários, Santarém, 1-5 de abril de 2019;
  • Encontro sobre dinâmicas de avanço da soja organizado com L. Eloy, V. Nédelec & C. Uber, Centro de Desenvolvimento Sustentável, Universidade de Brasília, maio 2019;
  • Roda de conversa “Apostando numa ciência cidadã: os desafios em construir um observatório socioambiental em Santarém junto com a sociedade” no âmbito do II Forúm Internacional da Amazônia, Universidade de Brasília, 06 de junho 2019;
  • Curso “Urbanização extensiva e outras economias na Amazônia” destinado a pesquisadores INCT e estudantes do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU), Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará, agosto 2019 (30 horas);
  • Curso “Urbanização extensiva e outras economias na Amazônia” destinado a pesquisadores INCT e estudantes do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável (PPG-CDS), Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS), da Universidade de Brasília, setembro 2019 (30 horas);
  • Grupo de trabalho “Mudanças Climáticas: políticas e governança para a adaptação e a redução das vulnerabilidades em áreas urbanas, peri-urbanas e rurais” no âmbito do IX Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade – ANPPAS, Universidade de Brasília, 09 a 11 outubro 2019;
  • Mesa redonda “Apostando numa ciência cidadã: os desafios em construir um observatório socioambiental em Santarém junto com a sociedade” no âmbito do IX Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade – ANPPAS, Universidade de Brasília, 09 outubro 2019;
  • Mesa redonda “Quais são as interações entre conhecimentos tradicionais e acadêmicos? Uma reflexão a partir da agroecologia no âmbito do IX Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade – ANPPAS, Universidade de Brasília, 09 outubro 2019;
  • Mesa redonda “Agricultura familiar no planalto santareno: entre pressões e transformações”.  VIII Seminário de Economia Política da Amazônia, Marabá. Dezembro 2019.

Levantamento e análise de dados:

  • Coleta de dados em campo por meio de aplicação de questionários a comunidades rurais (12 reuniões em comunidades polos, entrevista de lideranças de 32 comunidades) e 544 agricultores familiares dos municípios de Santarém, Belterra e Mojuí;
  • Seminário de análise conjunta dos resultados e definição das estratégias de divulgação dos resultados junto às comunidades locais: julho 2019, Santarém/PA; outubro 2019, Santarém/PA; dezembro 2019, Brasília/DF; fevereiro 2019, Brasília/DF; fevereiro e março 2019, Santarém/PA.

Atividades de campo:

  • Duas bolsistas presentes em tempo integral no campo participando de encontros locais para o melhor entendimento das dinâmicas locais para qualificação dos dados levantados, articulando com atores locais os encontros e reuniões referentes às atividades de co-construção do observatório; coordenando o levantamento de informações em campo pelos pesquisadores comunitários.

Instituições participantes: CIRAD, IRD, UFPA, EMBRAPA, UFOPA, UnB-CDS, UnB-FUP, STTR, FASE

Levantamento de dados em campo: Um dos objetivos específicos do projeto BONDS visa a compreender a organização das atividades de pesca “(quais são os atores principais e suas influências diretas ou indiretas sobre os recursos, as dinâmicas em jogo e interações) e numa segunda fase, iniciar um processo de reflexão sobre gestão alternativa, em conjunto com os atores, para melhor preservar ou mesmo restaurar os recursos piscícola e a biodiversidade. Foram organizados, três encontros com os principais atores identificados no quadro do projeto: a SAPOPEMA (www.sapopema.org) uma NGO criada por professores da UFOPA que propõe acompanhar as comunidades na conservação do meio ambiente, o desenvolvimento sustentável para melhorar a qualidade de vida da população com foco no manejo da pesca; a colônia de pescadores Z20 de Santarém que desde 99 anos, acompanha e lida movimentos para proteger os pescadores artesanais da região do Baixo Amazonas; a FEAGLE (a federação agroextrativista da Gleba do Lago Grande), a organização civil representando as comunidades da região, encarregada do monitoramento das reformas agrarias e do manejo do uso dos recursos. Estas reuniões constituíram uma oportunidade para apresentar o projeto e refinar os seus objetivos tendo em conta a realidade local. Também permitirem refinar as metodologias e elaborar um plano das atividades por 2020. Um grupo de pescadores reunindo os coordenadores da sub-regiões de pesca da região de Curuai foi constituído e será envolvido no desenvolvimento do modelo conceitual projetado no projeto.

 

Trabalho de laboratório: Mapeamento dos habitas de várzeas: Um dos objetivos específicos do projeto é de propor um mapeamento de alta resolução dos habitats de várzea, útil para interpretar dados in situ de presencia/ausência de espécies e permitir a elaboração de cenários de biodiversidade. O mapeamento de vegetação/inundação de toda a planície da bacia amazônica está disponível (Hess et al, 2015), mas com resolução espacial (~90 m) e frequência temporal (2 datas) insuficientes para cenários de biodiversidade; o mapeamento em escala fina (~30m) está disponível apenas para um pequeno número de locais, devido ao grande número de cenas e datas necessárias para o mapeamento do período de inundação, e à falta de imagens ópticas livres de nuvens. O grupo visa explorar sinergias entre sensores ópticos e de radar com frequência temporal (1 a 3 dias) e resolução espacial altas (de 10 m a 30m) para melhorar os métodos de captura da variabilidade espaço-temporal dos habitats das planícies de inundação. Dados Lidar serão explorados para melhor detectar a estrutura da vegetação e melhorar os modelos de elevação Digital. Impactos da paisagem no bem-estar das populações ribeirinhas: tipologia das comunidades: Com o objetivo de generalizar os resultados que serão obtidos na região do Curuai à escala de alguns núcleos de pesca, está a ser elaborada uma tipologia de comunidades nesta região e na região de Santarém. Esta tipologia é inicialmente baseada em dados de questionários realizados pelo INPE em cerca de uma centena de comunidades, que permitem relacionar indicadores de mudança da paisagem, das atividades e do bem-estar das comunidades. Trabalhos de modelagem hidrodinâmicas e novos algoritmos para integrar dados de satélite e dados in situ continuaram.

  • Coleta de dados com 544 agricultores familiares em 3 municípios de Santarém, Mojuí e Belterra;
  • Escolha dos potenciais indicadores junto com os pesquisadores comunitários e representantes dos STTR, no que tange a vulnerabilidade socioambiental e consolidação da agricultura familiar e que possa fortalecer os modos de vida dos agricultores familiares locais;
  • Mapeamento dos habitats de várzeas: Desenvolvimento de uma base de dados a mais exaustiva que possível, reunindo imagens óticas e radar dos satélites Landsat, Sentinel, Alos e modelos digitais de terreno disponíveis  e realizou do pré-processamento necessário para a exploração das imagens. Vários algoritmos para caracterizar inundações e tipos de vegetação estão sendo comparados. Em relação aos impactos da paisagem no bem-estar das populações ribeirinhas, os resultados mostram que a localização geográfica das comunidades afeta a dinâmica da cobertura do solo no seu entorno, influenciando o grau de acesso da população a diferentes serviços ecossistêmicos, e impactando de forma positiva ou negativa diferentes aspectos do seu bem-estar. O tipo de unidade da paisagem onde a comunidade está inserida e sua distância em relação às unidades de conservação, são os fatores que mais influenciam a dinâmica da cobertura florestal, a provisão de serviços ecossistêmicos e o bem-estar humano das comunidades de Santarém; Em relação às atividades de pesca nas comunidades, o principal conflito local é devido à invasão de grandes barcos (geleiras) vindos de fora da região para a captura de grandes quantidades de peixes, inclusive durante os períodos de Defeso, deixando os lagos locais com baixo estoque de peixes para comercialização e subsistência. A falta de fiscalização e de incentivo à pesca artesanal agrava ainda mais a questão, visto que muitos pescadores locais acabam contribuindo para o abastecimento dos grandes barcos pela remuneração, e o restante dos pescadores não possuem meios de fiscalizarem sozinhos a grande extensão dos lagos da região;
  • Realização de uma primeira tipologia dos agricultores familiares, co-construída com os pesquisadores comunitários e os representantes dos STTR;
  • Trabalho de análise estatística para validar e complementar a primeira tipologia;
  • Resultados sobre as principais mudanças que afetam os 544 agricultores familiares entrevistados;
  • Análise da relação entre paisagem e bem estar das comunidade – desenvolvimento de indicadores que poderão ser aplicados em outros regiões;
  • Levantamento das instituições atuantes na área de estudo e fomento de oportunidades de diálogo com as mesmas para entender como atuam na governança ambiental do território;
  • Levantamento participativo com lideranças locais sobre possibilidades de cenários futuros como reais e desejáveis. E levantamento de ações prioritárias para lidarem com as mudanças em curso e também para atingirem os cenários desejados;
  • Início de um processo de modelagem participativo das atividades de pesca, em vista a produção de cenários para procurar coletivamente manejo dos recursos piscícola mais sustentáveis;
  • Elaboração em curso de cartilhas para as comunidades e tomadores de decisão: agrotóxicos, agroecologia, produção e comercialização, evolução das comunidades (Mapas já realizadas são acessíveis neste endereço https://ird-cirad.lizmap.com/odyssea/index.php/view/);
  • Capacitação de 21 pesquisadores comunitários (jovens agricultores e representantes dos STTR), abril 2019;
  • Curso sobre “Urbanização extensiva na Amazônia” para pesquisadores do INCT e estudantes de pós-graduação UFPA/UnB, agosto e setembro 2019;
  • Seminário do Christophe Lepage sobre a metodologia comMOD (https://www.commod.org) e sessão de role-playing game com estudantes da pós-graduação do Instituto de Ciências e da Sociedade (ICS) da UFOPA Outubro 2019;
  • Aproximação com instituições públicas não-acadêmicas no território do Planalto Santarém como o Ministério Público, EMATER, e do terceiro setor (Ong FASE).